segunda-feira, 3 de outubro de 2011

brain > heart

Hoje não me apetece ficar em casa a comer gelado e a ver filmes deprimentes por nada deste mundo e, por isso, depois de muito pouca deliberação decido-me a despir a camisa de noite e vestir uma camisa e uns jeans. A noite está fresca e logo que saí porta fora arrepiei-me ao ouvir o som dos grilos; caminhei na direcção indicada pelos meus instintos e quanto mais andava, mais tinha de me apertar contra os meus braços para não sentir frio. Fiquei espantada ao ver onde as minhas pernas me tinham trazido e, vagarosamente, descalcei-me e peguei nos chinelos com a mão. Caminhei contra a maresia reconfortante que o mar me lançava qual boas-vindas, e acabei por me sentar de joelhos ao peito perto dele... Já há muito que não fazia passeios e sentia falta disso; a noite dá-nos uma expectativa de perigo, mas a mim faz-me sentir maravilhosa.
Seria normal ver pessoas a passearem à beira-mar ou até ver cães a aproveitarem-se da falta de vigilância nocturna para se deliciarem na sua água salgada, mas esta não me parecia ser uma noite normal, havia demasiado silêncio... Não é que isso me afligisse, mas era extremamente estranho.
O som do mar era como um calmante, e de repente senti as pálpebras levarem a melhor e os meus olhos fecharem-se - foi o meu maior erro. Quando se viram tapados, aproveitaram a oportunidade para me mostrar lembranças há muito esquecidas, dias perfeitos da minha vida que, apesar de tudo, eu preferia esquecer... Mas um momento em particular era sublinhado pelo meu cérebro: uma noite como esta em que um homem me fez sair de casa trazendo-me a esta mesma praia para revelar que se ia embora; mas fazendo-me prometer que nunca me esqueceria que, um dia, ele passou a fazer parte da minha vida. Lembro-me de como se tivesse sido ontem: apesar da pouca luminosidade que vinha dos candeeiros da estrada, os olhos dele estavam mortos de dor e cheios de receio. Não quis saber para onde ele ia, o que ia fazer e nem porque ia - limitei-me a pegar-lhe na mão, colocá-la no lado esquerdo do meu peito, jurar-lhe que nunca o ia esquecer, levantar-me e ir-me embora, enfiar-me debaixos dos lençóis logo chegada a casa e deixar a melhor parte de mim morrer. E até hoje, mais nada soube sobre ele. Absolutamente nada. E tinha que vir hoje aqui para me lembrar disso e para me sentir novamente a enfraquecer... 
Deito-me na areia e deixo-me adormecer, repetindo todos os momentos que passámos juntos e tentando não pensar no facto de ele se ter ido embora - tendo em esperança ser a última vez que revia tudo isto. 
Se ele não tinha um porquê para ficar comigo, eu também não terei um porquê para continuar a dar-lhe abrigo no meu coração.

21 comentários:

  1. está lindo e quase me trouxeste as lágrimas aos olhos. só tenho pena de continuares a dar abrigo a uma pessoa que só vem ao teu encontro quando precisa de ti e nunca está por perto quando precisas. é pena. amo-te sempre

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  2. muito obrigada mesmo minha querida, tento transmitir isso em tudo o que escrevo.

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  3. Gosto do post , a seguir o blog :D , segues o meu?

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  4. De nada :)
    Quanto ao ele voltar, é bastante improvável que aconteça

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  5. Oi.
    Eu também não consigo ver as pessoas que "gostaram" no botão do Facebook. apenas consigo ver quando as pessoas são minhas amigas no Face, aew sim consigo ver.


    http://xxx-memories-xxx.blogspot.com/

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  6. Que profundo.
    Força. Deixa-o ir, deixa de ser o abrigo.
    Sim, há-de passar.

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  7. viste o meu comentário?<3 no outro post~?

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  8. Então ainda bem que te avisei porque eu como também não sei se vês os comentários que poderão fazer-te noutros posts, tive de avisar não é? E como são poucos os seguidores que sabem o meu segredo, não quis postar logo aquele comentário neste post. Obrigada pela compreensão linda <3

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  9. mas isso dá para fazer querida, se quiseres. oh, toca imenso <3

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  10. mas é como se tivesse chegado e não querida, eu não queria. está tudo tão parado, incompleto, vazio. oh

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  11. Eu espero mesmo que sim, Fabi linda! E oh, encontrei-me tanto naquele texto! Obrigada <3

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