domingo, 6 de dezembro de 2009

now


levantei-me mais cedo do que nos outros dias para ir ver o sol nascer. sentei-me na minha velha cadeira de baloiço, e deixei-me adormecer enquanto os primeiros raios de sol do dia se reflectiam na minha cara pálida;
acordei sobressaltada, dei os meus bons dias ao nosso rei e voltei a entrar para casa. acendi o fogão, pus uma cafeteira de café a aquecer, e entre tudo isto começava a chover. foi estranho o dia ter começado tão glorioso, parecido com aqueles dias de primavera, e depois se transformar numa grande tempestade. mas mesmo assim, eu gostava deste tipo de dias, escuros, sem cor. bebi o café enquanto olhava pela janela e via cada gota de chuva se desfazer quando aterrava no chão, e, ao mesmo tempo, continuava sentada na velha cadeira de baloiço nos meus pensamentos, baloiçava entre as palavras, dançava no meio dos sons e voava sobre as imagens.
por fim, dei conta de que estava a beberricar uma chávena vazia e saí da cozinha, caminhando passo sobre passo para o sofá da sala. a lareira estava acesa desde a noite passada, e nunca parara de arder. as suas cores ardentes captaram a minha atenção, e hipnotizaram-me; mergulhei novamente nos meus pensamentos mais profundos, mas a certo ponto, não tinha mais em que pensar, e isso fizera com que eu sentisse dor. uma dor muito transparente, que era invisível nos meus olhos, que apenas reflectiam as chamas da lareira que ardia sem parar no meio da minha sala cinzenta e branca. e do nada surgiu um enorme vazio dentro de mim, um vazio no meu todo que me magoava e me fazia sentir só. faltava algo a meu lado, faltava uma outra alma a pairar por entre a minha casa. faltava um alguém que me desses os bons dias e partilhasse comigo o nascer do sol, alguém com quem eu pudesse conversar enquanto bebia o meu café matinal, alguém a quem dar a mão enquanto olhava para a lareira. alguém a quem confiar os sonhos, alguém a quem dar a chave da minha casa, para sempre entrar quando soubesse que me sentia vazia outra vez. ou simplesmente, alguém a quem amar. mas agora já não sinto isso, o vazio desapareceu, e está tudo bem, pois tenho a chave da minha casa confiada a alguém. já não contemplo o nascer do sol sozinha, e tomei o hábito de apreciar também o seu adeus.

13 comentários:

  1. adoro a maneira como escreves, minha fabi

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  2. está lindo fabiana.

    quanto a mim, já não choro, apenas me lembro dos momentos com saudade e com um sorriso nos lábios, porque os vivi.

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  3. Obrigada, eu também te vou seguir :D *

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  4. sem motivo e sem razão aparente o mundo desabou aos meus pés. porquê? porque a saudade mata-me e o tempo destrói-me!

    <3

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  5. tem dias minha querida, tem dias. <3

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