quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

casa na árvore


estava sentada a ler um livro, na minha pequena casa em cima de um limoeiro. o tempo estava quente, e não me apetecia ir para a praia. estava demasiado calor para estorrar ao sol, e então, decidi pôr a leitura em dia. aquele local para mim era mágico, e trazia-me recordações que nunca mais vou esquecer, nem quero.
não estava sentada num sítio qualquer, estava sentada em cima do nosso sofá, que nos deu o maior trabalho de o transportar até acima do nosso limoeiro. sim, o nosso limoeiro. à minha frente, ainda perdurava a nossa foto, lembras-te de como estávamos suados quando a tirámos? tínhamos acabado de construir a casa, a nossa casa na árvore, e o vizinho decidiu apanhar-nos desprevenidos. mas nesta foto, acho-te realmente bonito, estás natural. notam-se as tuas rugas já a quererem desabrotar, consigo delinear cada pequena risca do teu olho, e as tuas pestanas estão brilhantes. até eu me acho bonita nessa foto, mas penso que apenas o acho por estar a teu lado.. é das poucas fotos que temos juntos, e das poucas lembranças que me deixaste. prometeste-me um para sempre, lembras-te disso?
a casa cheirava a canela, algo muito característico teu. adoravas a canela, e eu aprendi a adorar também. lá em cima, estou longe de tudo e de todos, e consigo reviver todos os momentos que aqui vivemos, com todos os pormenores. e consigo fazê-lo porque todas as noites os revejo antes de ir dormir, como se nunca os quisesse apagar da minha mente. era algo repetitivo, constante. diria um hábito até.. tornaste-te um hábito. na porta da casa ainda habitava aquele espanta espíritos que compraste para mim no dia do meu aniversário. os seus guizos tilintavam com o vento, e eu sentia-me protegida com ele, era como se estivesses a meu lado. não fisicamente, mas eu sentia-te perto.
às vezes fico horas a fio lá sentada a ler, parece que consigo fazer com que tudo volte. tudo mesmo. sou engolida pelo livro, e só volto à vida grande tempo depois. à alguns dias que dormi lá. no início deixei-me dormitar, estava frio e não me apetecia sair. mas acabei por adormecer. de manhã acordei com uma grande dor de cabeça, como se aquele espaço me atormentasse. mas é impossível deixar de visitar a nossa casa, o nosso lar. foi quase tudo o que me deixaste. a tua herança. o teu bilhete de adeus. só faltava mesmo deixares-me um envelope com uma carta lá dentro a dizer: «meu amor, lamento tudo isto. lamento. mas vou-me embora, e nunca mais vou voltar. deixo-te tudo o que tenho até agora: a nossa casa, e o teu coração. adeus.» às vezes vejo debaixo de todas as carpetes e nos armários, procuro por uma carta desse género, mas não encontro nada. parece que desapareceste com o vento, sem deixar rasto, mas a deixar estragos.
i miss your smile

13 comentários:

  1. que texto fantástico :'o
    isso de cometer erros estúpidos acontece-me bastante frequentemente x)

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  2. Fabiana, está EXTRAORDINÁRIO! <3

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  3. acontece ;)
    hoje descobri que ontem me esqueci de fazer uma area -.-'

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  4. deixa lá , vamos ter uma grande nota as duas 8D

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  5. Oh, desculpa a invasão. Mas gostei tanto do que escreveste que não podia ficar sem comentar. Posso seguir o teu blog? :)

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  6. acabou sim minha querida. o capitulo encerrou e os pontos finais foram lançados.

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  7. é LINDO MESMO!
    taambém chorei imenso, é fantástico.

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  8. fica bastante bem com D.Inês (a)

    que texto lindo, *-*

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  9. A-DO-REI
    adorei o blog, adorei o texto *
    estou aqui minha linda<3

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