quarta-feira, 6 de outubro de 2010

letter number 17: to someone from my childhood

sei que nos pensamentos de muitos adultos as pessoas de quem começamos a gostar e nos afeiçoamos quando somos ainda uns bebés são as pessoas de quem mais depressa nos esquecemos; que simplesmente serviram para brincar connosco às casinhas, aos médicos, às lojas de roupa, às mercearias, que simplesmente serviram para aprender coisas novas connosco: coisas fúteis, ou coisas que nos irão acompanhar até ao final das nossas vidas como o aeiou. mas a maior parte dessas pessoas são com as quais formamos um vínculo eterno que irá predominar até ao final das nossas vidas. algumas afastam-se de nós quando ainda somos novos, vão-se embora da nossa terra, ou vão para outra escola... outras continuam bem junto a nós, durante anos a fio, a assistir a todas as nossas evoluções, desgraças, sortes e azares.
muitas das pessoas que conheci enquanto tinha 3 anos (e até menos), ainda hoje tendo eu 16 anos, continuam comigo. acompanharam-me durante estes 13 anos em todas as circunstâncias e não me deixaram ficar mal. como normal, tenho os mais importantes, as mais importantes, mas são todos muitos especiais para mim, e é para todos que escrevo este texto.
tivemos os nossos momentos bons e maus, as nossas discussões, as nossas faltas de consenso. tivemos os nossos momentos tristes quando tivemos de nos despedir de um elemento do nosso grupo, chorámos, gritámos, desesperámos. mas mantemo-nos sempre unidos, e a nossa ligação nunca se desvaneceu. nem o tempo nem a distância a conseguiu partir. pode-se ter suavizado um pouco, porque isso pode acontecer, mas nada conseguiu modificar ou destabilizar a amizade crescente que existe nos nossos corações. existem fios entre nós que não se partem com um pequeno toque ou com o corte de uma tesoura: a nossa amizade é bem mais forte que isso, é indestrutível. no futuro iremo-nos dispersar pelo mundo, vamos deixar de nos falar durante muito tempo, mas tenho a certeza de que nos voltaremos a encontrar, porque a Terra é demasiado pequena para perdermos a nossa amizade assim tão facilmente - ela não é uma agulha que se pode esconder no meio de um palheiro; é mais como... um pneu que tentamos esconder num palheiro de metro por metro. parece impossível, não parece? é porque é.
não concordo que a amizade seja mais forte que o amor, porque os dois estão misturados. sem amizade não há amor, e sem amor não há amizade. as duas estão interligadas consequentemente. e é por isso que tem de haver sempre um pouco das duas na nossa vida, por menor quantidade que seja.
as nossas feições, o nosso corpo, a nossa personalidade, a nossa forma de estar, o nosso modo de agir, os nossos gostos... todos mudam. mas os sentimentos que ficaram mais que decalcados no nosso coração? esses continuarão lá, para todo o sempre. nem que seja preciso uma grande ventania para os podermos estudar tal como fazemos a um fóssil com milhões e milhões de anos. há sempre aquela pontinha solta que fica lá, à espera que a puxemos e vejamos o que quase podemos ter deixado para trás.
mas a vocês, prometo que vou estar sempre aqui e que tentarei sempre estar convosco. vou ajudar-vos em tudo e todas as coisas e esperarei que me ajudem a mim também. vou oferecer-vos o meu ombro, as minhas palavras, as minhas lágrimas, a minha atenção, e esperarei que façam o mesmo. vou amar-vos, e peço-vos que me retribuam esse amor que me faz tanta falta em cada grama de medula óssea do meu corpo.

10 comentários:

  1. fiquei sem palavras. está mais que lindo (:

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  2. está lindo! cada pessoa que participa na nossa infância tem uma papel muito importante, e por mais que haja quem não o reconheça, sem elas não seriamos pessoas normais, com ligações.

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  3. está lindo mesmo *-*
    parece-me que escreves mesmo muito bem (:
    vou seguir, espero que não te importes :$
    beijinho *

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  4. os teus textos são bem mais valiosos que os textos de muitos livros que andam a ser vendidos por aí.

    nunca pares de escrever *

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  5. obrigada.
    Vê e da a tua opinião:
    http://paixaoimagem.blogspot.com/ e podes seguir se quiseres

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  6. é bem verdade mas no fundo não passam disso mesmo, de simples sonhos que se apoderam da nossa parte fraca e nos levam a acreditar em coisas completamente absurdas sejam elas boas ou más.
    obrigada por seguires (:

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  7. gostei muito fabiana, está lindo, como sempre.
    a nossa infância é das melhores fases que passamos na vida.

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