quinta-feira, 30 de setembro de 2010

letter number 16: to someone who isn't in my city/country

não há um dia em que através dos meus pensamentos eu não vá ter contigo abraçar-te. todas as noites antes de adormecer beijo as tuas pálpebras e moldo os teus dedos nos meus. não sei se sentes a minha presença espiritual, não sei se percebes porque a todas as horas vagueio entre os teus poros à procura da fonte da tua essência que te faz ser quem és. tenho medo que nos meus sonhos a terra se divida a meio e nós fiquemos separados por um oceano incandescente. por isso agarro-me ao que sei ser o teu amor profundo e inconfundível por mim e não me deixo levar pela brisa do horror e da dor.
em todas as minhas manhãs o primeiro pensamento que me ocorre é a tua imagem, e mais uma vez abro os olhos para viver por ti e para ti. é a força do teu respirar que faz o meu coração bater; e os teus suspiros dão origem às minhas lágrimas insaciáveis de tormento.
meu príncipe... as doze badaladas da tua meia-noite já passaram e tu ainda não te foste embora, e os teus sapatos ainda continuam em cada um dos teus pés. vais ficar para mais uma dança comigo? vamos balançar-nos entre as estrelas e a lua cheia e vamos deixar-nos levar pela doce melodia do som dos nossos corações. são batidas irregulares que retratam os nossos sentimentos e que - tenho a certeza - dariam a música mais perfeita do mundo.
sabias que os teus braços são o canto mais confortável do mundo? mal posso esperar por voltar a tê-los enrolados em mim. contigo sinto-me protegida e segura de qualquer terramoto que se possa aproximar.
não quero que te afastes de mim. será pedir muito? tu és eu. eu sou tu. somos nós, nós os dois. formamos um só eu.
e enquanto neste momento estás encostado numa cadeira, eu poderia estar a enrolar os meus dedos no teu cabelo e a sussurrar-te palavras mais doces do que mel. mas não terás de esperar muito para que isso aconteça.

meu querido, sei que isto não parece uma carta, mas lamento desapontar-te, pois é uma carta sim. mas uma carta em forma de pensamento que foi transmitido para o papel letra a letra pela electricidade dos meus dedos.
parece estranho este corpo da carta, não parece? mas é simplesmente tudo aquilo que me escorre pela garganta quando pronuncio o teu nome ou o revejo na minha alma.

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