terça-feira, 11 de setembro de 2012

venda no coração

É triste quando alguém nos desilude, mas é ainda mais triste quando a história que pensávamos estar a viver aconteceu só na nossa cabeça. O nosso coração lançou um sopro até à nossa mente e fez com que grandes expetativas se elevassem nos Céus que se espelham nos nossos olhos. E esse, foi o fim. Foi aí que o sossego acabou, que as noites em que íamos para a cama sem ter nada em mente terminaram, e em que a cada passo que dávamos, cada conversa que tínhamos passou a fazer relembrar-nos alguém. Novamente. Passamos por este processo vezes e vezes sem conta durante a nossa vida, mas quando em vez de ser um ciclo em que estamos felizes, é um ciclo que nos leva à tristeza, algo está mal. As cicatrizes começam a acumular-se debaixo das nossas vistas, e depois não nos conseguimos aperceber de que algo está errado: de que devemos deixar de desenhar o nosso mundo em volta desse alguém, e que devemos largá-lo. Mas nós estamos cegos, e não vemos que isso nos está a fazer mal. A corda bamba não é casa de férias reconfortante para nenhum de nós, e quando ela passa a ser a nossa morada permanente devemos fugir o mais depressa que podemos. Só que, o que é que acontece? Pois. É isso mesmo. Estamos presos ali, agarrados ao que nunca existiu e com palas nos olhos que não nos deixam enxergar a realidade. E permanecemos ali, à espera do que talvez nunca vá acontecer. Apodrecemos em cima das nossas malditas esperanças e vamo-nos afundando no nosso próprio mar de sofrimento. E não há quem seja capaz de nos salvar.

5 comentários:

  1. Retirar a venda dos olhos é uma tarefa quase impossível, às vezes. Sorte de quem consegue tirá-la ou de quem nunca a teve sob a realidade.

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  2. "As cicatrizes começam a acumular-se debaixo das nossas vistas.". Mas é mesmo. Beijinho :) *

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  3. Este pensador, viageiro entre Sois
    Esta Ave pousada em mil embarcações
    Este barco que passa sem vela ou remo
    Esta arca repleta de vibrantes emoções

    Esta mestiça flor de açafrão
    Este ramo de espinhos cravados na mão
    Esta alma que não ousa largar opinião
    Este homem vestido de solidão

    Ouvi um som profundo e breve
    Vindo de uma perdida lembrança
    Toquei de leve os trincos da memória
    E senti o golpe frio de uma afiada lança

    Boa semana


    Doce beijo

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