terça-feira, 6 de março de 2012

walking with spiders

Fui feliz por uns segundos, mas distraí-me. Deixei-me levar na corrente e deixei os troncos passarem com ela, sem me agarrar a nenhum para me salvar; e de repente chegou a cascata e caí numa racha no meio da terra. E não havia nenhum trampolim lá em baixo para me fazer voltar para cima.
Agora, vivo estas horas incessantes de tristeza profunda, e não consigo fazer o relógio parar. As pilhas não acabam, e eu continuo aqui... À espera que as horas passem... Mas elas não passam! E continuo a aprofundar-me na minha própria carne, a embeber-me no meu próprio sangue e nas minhas lágrimas. Afogo-me. E quando fecho bem os olhos já pronta para o meu fado, penso em ti. Penso em ti e em como me fizeste feliz por uns segundos, breves segundos, com meras palavras. E agora não deixo de pensar em ti, nem mesmo quando me deixo ir para o fundo, quando os meus pulmões se enchem de sangue e de lágrimas, e eu vou deixando de sentir, segundo a segundo.
E este tempo passa ainda mais depressa do que aquele em que carregaste o meu mundo à costas: fico feliz a imaginar-te ali, com um sorriso de orelha a orelha. E de repente essa tua imagem que se formou no meu cérebro estica-me a mão. Agarro-a com força, e quando dou por mim estou em terra firme, e tu não estás ali outra vez. Foste-te embora, mais uma vez. 
Os meus olhos estão ensanguentados e enchem-se de lágrimas. Mas desta vez, eu não me afogo nelas... Deixo-as escorrerem pelo pescoço abaixo, sem lhes interromper o caminho, até chegarem ao peito. E dói. Todo aquele sangue que derramei tinha-se concentrado ali, no lado esquerdo do peito. E de cada vez que me pergunto porquê, mais ele me tira as forças e me corrói as entranhas. Mais valia ter ficado naquele mar de vida, e ter deixado todo o meu eu ficar lá a baloiçar, até que se desfizesse e eu já não fosse nada... Outra vez.

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