quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

tudo por pouco

Sentei-me numa rocha no meio do nada e no meio de tudo. Tinha frio, é verdade, mas não iria sair dali. Enquanto as minhas pupilas não detectassem a proa do teu navio cujo nome ainda me era desconhecido, eu não sairia dali, fizesse chuva - que era o caso -, fizesse Sol. As cutículas da morrinha impregnavam-se entre os meus cabelos e desciam-me pelo pescoço, até ao fundo das costas. A blusa florida que me tinhas oferecido exactamente um mês antes, quando achávamos que a nossa vida estava nos conformes, estava completamente encharcada e colada ao meu corpo.
Mas mais do que frio, tinha eu medo. Medo que o mar se zangasse por tu estares zangado com a tua própria vida, e te engolisse num acto de soberba por não ser como tu. Pode ser fruto da minha imaginação, mas quando ia contigo para o mar, enquanto éramos meros amantes, no auge na nossa juventude, nos dias em que o nosso amor se via até por um pobre cego, o mar mostrava-se calmo e sereno, tal e qual como quando enchemos uma banheira de água até cima e nos deitamos nela e adormecemos, enquanto lhe absorvemos a temperatura e ela nem mexe um dedo. Mas nos poucos restantes dias em que as nossas almas eram atazanadas pela loucura do ciúme, eu tinha medo - tal como à dias - de te ver a partir para o mar; ele estava sempre furioso, talvez mais furioso do que o quanto tu estás contigo e com quem manda no universo. Na rádio ouviam-se vários relatos de pescadores e até tripulações inteiras desaparecidas. E, como dá para perceber, hoje é um desses dias. Ou melhor, já partiste há cerca de 2 dias e ainda não sei nada de ti. Em menos de um mês as contas amontoaram-se em cima da mesa do chá, e tu parece que, a cada envelope a mais que vias, mais estranho te tornavas, como se te aumentassem o volume do desespero num botão que não consigo ver.
Eu sei porque te preocupas tanto, é normal. Mas eu vou-te confessar uma coisa que antes nunca saiu da minha boca: eu não me importo de morrer à fome, desde que esteja de mãos dadas a ti. Não me importo. Não me importo que me hipotequem a casa e todos os restantes bens desde que possa ouvir a tua voz todos os dias. Podem até tirar-me toda a roupa do corpo, como queiram. Mas eu só preciso de uma única pessoa para conseguir ser feliz, e essa pessoa és tu. És o meu amor de sempre e para sempre, o Homem que me fez acreditar que não conseguimos controlar os sentimentos. Tenho saudades tuas e só passou este pouco tempo. Quem começa a ficar desesperada, sou eu.
É que sei agora que todas as minhas expectativas iniciais estavam certas...
Agora, atiro esta garrafa à água, cheia de pedras junto com a minha pequena carta, com esperança de que chegue ao fundo do oceano junto do teu navio e do teu corpo náufrago, inerte, e sem vida.
Mas que vou amar sempre.

23 comentários:

  1. está windo fabiúca. *corações*

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  2. ps. podes dizer-me o nome da musica dos evanescence que está a tocar? :p

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  3. está TÃO lindo f, escreves mais que muito bem, e ficou perfeito com a música ♥

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  4. não é bem sorte xD ali trabalho e chego ao fim do dia estafada :x

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  5. Obrigada! É só da Amy Lee? pensei que pertencia a um album dos evanescence! :x já vi que tenho de me informar melhor sobre a Amy Lee, que por sinal gosto imenso!

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  6. oh iúca, obrigada.
    sim já sei, prometo estar mais atenta. até porque é fim-de-semana ahah. zx *corações*

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  7. só uma? que pouca sorte :/
    não me canso de dizer que escreves maravilhosamente bem *-*
    ah, e peço desculpa pela demora a responder *

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  8. obrigada querida.
    está lindoo mesmo. adoro

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  9. que mau :o
    nós vamos fazer umas 3, pelo menos :)

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